Homilia em português para 21 de agosto de 2011, XXI Domingo em Tempo Ordinário, ciclo A


Homilia para o 21 de agosto de 2011, XXI Domingo em Tempo Ordinário, ciclo A
Nota: em Brasil, se celebra a Solenidade da Assunção da Virgem Maria hoje, o domingo depois do dia 15 de agosto, mas nos Estados Unidos essa festa se celebra no mesmo dia 15. Por isso a minha homilia é escrita com as leituras do domingo, não da solenidade.

Hoje é o último dia da Jornada Mundial da Juventude. Há uma semana que jovens vindos de tudo o mundo celebram sua fé e rezam juntos com o Santo Padre. Eles escutam as palavras do Papa com fé e alegria, porque nele reconhecem o Vigário de Cristo, o guia para viver a fé no mundo de hoje.

Isso resalta a coisa que mais diferencia a Igreja Católica dos demais cristãos. Temos muitas coisas em comum com eles, ainda que exatamente quanto temos em comum varia muito de caso a caso, tanto em teología como na liturgia. Alguns cristãos ou “crentes” concordam conosco em pouco mais de uma fé básica em Jesus Cristo, com interpretações muito diferentes das Escrituras e da vida e legado do Senhor. Outros, como as Igrejas Ortodoxas do Oriente, são quase indistinguíveis dos ritos católicos orientais. Eles têm os sete sacramentos, devoção à Virgem Maria como Mãe de Deus, a veneração aos santos, e assim adiante. Até reconhecem um certo primado do bispo de Roma, como primeiro entre iguais.

Mas só a Igreja Católica conserva plenamente a verdade sobre o primado do Papa como successor de São Pedro. Falamos de “conservar” esta verdade, porque ainda que a aplicação práctica e as matizes de como essa doutrina se entende têm evolucionado, o princípio central tem sua origem justamente na Sagrada Escritura, como nos ouvimos hoje.

No Evangelho de hoje, vemos que Cristo delega as “chaves do Reino dos Céus” a São Pedro, quem chama a “Rocha”, um ponto de referencia seguro, sólido e imóvel. É uma imagem muito semelhante à imagem usada pelo profeta Isaías na primeira leitura, que os teólogos aplicam primeiramente a Cristo, e que Cristo aplica a Pedro como seu vigário. A história da Igreja mostra que os Apóstolos entenderam que esta autoridade deveria se trasmitir ao sucessor de Pedro, da mesma maneira que o papel mais em geral dos apóstolos também foi trasmitido a seus sucesores, os bispos.

Tal autoridade é uma grandíssima responsabilidade. O papa e seus sucessores tem que guiar a Igreja pelos grandes dilemas morais e as discussões teológicas que apresenta cada época. É uma graça muito grande pela Igreja, pois assim temos a segurança de não nos desviar das verdades reveladas, contidas nas Escrituras e na Tradição, retamente interpretadas. Os papas não fazem isso graças à sua própria santidade ou sabedoria, mas graça à assistência especial do Espírito Santo prometido por Cristo.

Isso não é dizer que tudo o que acontece na Igreja é perfeito. Não todas as atuações dos papas e dos bispos são infalíveis. Não fica no âmbito desta homilia tratar as matizes dos tipos de autoridade dos documentos e das declarações da jerarquia da Igreja, mas todos sabemos que uma proclamação doutrinal do papa é muito diferente de uma decisão prática do papa ou de um bispo. A doutrina é seguro; se pode ter erros às vezes na prática. Mas as fraquezas humanas da Igreja não chegam a ser contrapeso ao imenso dom de Deus que é sermos membros do Corpo de Cristo, protegidos e guiados na verdade baixo a vigia do Vigário de Cristo. E os bispos e o Papa precisam da nossa ajuda, na forma das nossas orações, e de nosso respeito e obediência.

Às vezes, pessoas vêem mais as fraquezas do que a graça de Deus na Igreja. Ficam feridas pelos escândalos, ou não sentem que o padre sabe responder às suas necesidades espirituais. Por isso vão com os “crentes”, onde talvez tem melhor pregação, ou música mais dinámica, ou programas sociais mais activas. Outras vezes, pessoas deixam a Igreja simplesmente porque é mais facil ir a outra igreja pelo horário dos serviços ou a conveniência do lugar. Essas pessoas estão privando-se da plenitude da verdade. Sem a rocha firme de Pedro, estão à mercé das opiniões e manias populares do dia.

Por isso, os jovens em Madri, e todos nos, temos motivo para celebrar. Temos o dom da fé, e a segurança de que a nossa fé é a fé autêntica, protegida pela força do Espírito Santo que actua no Santo Padre. Rezamos hoje pelo Papa, para que Deus o fortaleça e lhe dê sabedoria em todas suas decisões para guiar a Igreja, e rezamos também por todos os Cristãos, afim de que sejamos todos unidos numa só Igreja, na plenitude da verdade.

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About Matthew Green

I am a translator, origami artist/teacher, and photographer, a blogger, former philosophy professor, and I love to sing. You can see my photos on Flickr and buy prints of some of them on Fine Art America. You can find me on Instagram, Twitter (@mehjg), and in various and sundry other social media sites on the web.
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